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Qualidade de vida, como medi-la?

14 Fevereiro 2010


O interesse pela qualidade de vida da população é algo que surgiu nas últimas décadas, e tem influenciado desde então a política e os profissionais ligados à saúde. Lyndon Johnson foi o primeiro a empregar o termo "qualidade de vida" em 1964. Naquele momento, então atual presidente dos Estados Unidos ele declarou que: "os objetivos não podem ser medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1986, definiu a saúde como um estado de bem-estar físico, mental e social e não mais somente a ausência de doenças. Desta forma, pode-se relacionar a saúde ou a doença, a aspectos econômicos, sociais e culturais, ao estilo de vida bem também como a experiência social e individual de cada um.

Devido a isso, a preocupação pela qualidade de vida, que se iniciou através de cientistas sociais, filósofos e políticos passou a ser compartilhada também pela comunidade das ciências humanas e biológicas, que passaram a valorizar outros aspectos do que a diminuição da mortalidade, aumento da expectativa de vida e o controle dos sintomas tratados.

Após o surgimento dessa nova visão sobre a saúde pública, houve avanços incontestáveis na medicina. Tais avanços permitiram um aumento da expectativa de vida, devido a um crescente numero de investimentos em assistência médica curativa e individual, medidas preventivas, promoção da saúde e das condições de vida em geral.

Atualmente a qualidade de vida tem sido dividida em dois aspectos distintos. O primeiro aspecto é a subjetividade, que é a forma como o paciente avalia sua qualidade de vida. Ou seja, é a visão individual de cada paciente sobre cada dimensão relacionada à qualidade de vida. Esse novo conceito veio para substituir o antigo, onde a qualidade de vida do paciente era avaliado por um profissional da saúde. O segundo aspecto diz respeito das diversas dimensões (multidimensionalidade), que devem ser avaliadas.

Na tentativa de avaliar corretamente a qualidade de vida, países como Estados Unidos e a Inglaterra se tornaram pioneiros na criação de instrumentos de avaliação. Esses instrumentos então, eram traduzidos e utilizados em outros países, o que gerou críticas e outras considerações, pois populações de diferentes nacionalidades muitas vezes possuem visões e costumes distintos sobre a qualidade de vida.

Muitos desses instrumentos, normalmente questionários sobre a qualidade de vida, têm se mostrado uma importante ferramenta na prática clínica. Pesquisas internacionais apontam para a necessidade de que tais estudos possam ser comparáveis entre diversos países, portanto devendo-se realizar medidas para a correta adaptação de tais instrumentos para diversas culturas.

Atualmente pode-se classificar tais instrumentos em duas linhas de raciocínio diferentes. Existem aqueles que são mais generalistas, de base populacional que não especificam doenças. A OMS criou o grupo de Qualidade de Vida (The WHOQOL Group) que elaborou dois desses instrumentos genéricos para que pudessem ser utilizados em diferentes nacionalidades, pois até o momento instrumentos transculturais não existiam.

O WHOQOL-100 e o WHOQOL-Bref já estão traduzidos e disponíveis em muitas línguas. O primeiro possui 100 questões que abrangem os seguintes domínios: físico, psicológico, independência, relações sociais, meio ambiente e espiritualidade/crenças. O segundo é uma versão abreviada do anterior, e foi criado com o objetivo de ser um instrumento que necessite de menos tempo para o devido preenchimento, mantendo o mesmo nível de satisfação. O WHOQOL-bref possui 26 questões, sendo duas gerais sobre qualidade de vida e as outras 24 que correspondem cada uma das 24 facetas do instrumento original. Os domínios abordados nessa versão são: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente.

Outros instrumentos de mensuração, são classificados como específicos, pois avaliam a qualidade de vida após doenças degenerativas e crônicas. Para alguns pesquisadores, um instrumento de pesquisa da qualidade de vida específico válido, deve necessariamente ser relativo ao problema de saúde que se deseja mensurar, medindo somente essas características e não outras. Deve ser também preciso, propiciando o mínimo de erros possíveis, e sensato a ponto de detectar diferenças entre os indivíduos. Esse instrumento ainda deve levar em consideração informações transmitidas pelo próprio paciente, e essas informações devem ser aceitáveis não só pelo paciente, como também pelos profissionais da saúde e pesquisadores.

Desta forma, a escolha de um instrumento de pesquisa específico depende em grande parte das características das enfermidades e tratamentos do público que se pretende avaliar, sendo que um instrumento para medir a qualidade de vida de pacientes com câncer devem ser distintos dos utilizados para medir a qualidade de vida de pacientes com hipertensão leve, por exemplo.

Principalmente no Brasil, e também em outros países da América latina, onde as péssimas condições de distribuição de renda, analfabetismo, baixo grau de escolaridade e as péssimas condições de habitação e saneamento básico influem fortemente na condição de vida e saúde da população, tornam esses instrumentos de avaliação (genéricos e específicos) uma importante ferramenta para a promoção da saúde e uma alternativa viável para enfrentar os problemas da saúde que acometem a população humana.

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O famoso jeitinho brasileiro.

08 Dezembro 2009


Ah, o conhecido "jeitinho brasileiro" de lidar com tudo! Ninguém pode negar que o brasileiro é um povo criativo. Nosso carnaval, repleto de alegorias com cores e formas tão variados, nosso futebol alegre e envolvente, assim como as diversas maneiras que encontramos para burlar os problemas cotidianos e as dificuldades sociais, são somente alguns exemplos da criatividade inata do brasileiro.

Somos conhecidos no mundo inteiro pela nossa criatividade, mas também, pela malandragem! Pode-se dizer que a malandragem é a criatividade que ultrapassou o limite ético. É quando, por exemplo, utilizamos de criatividade para trapacear, furar uma fila, deixar de pagar algum imposto, ou até mesmo quando ignoramos um idoso para continuar no assento reservado à pessoas com necessidades especiais.

E o pior é que essa malandragem, para não dizer falta de ética, já está tão enraizada na cultura brasileira que já não causa mais espanto! Pesquisas indicam que a maior parte da população, acredita que a maioria dos políticos brasileiros são corruptos. E mesmo com essa certeza, ninguém faz nada? Para mim, tão ruim quanto a falta de ética é o conformismo presente no país!

Acredito que a escola tenha um papel fundamental, no que se diz respeito à conscientização e mudança comportamental. É necessário uma educação voltada para valores éticos e princípios morais, maiores estruturados. Somente mudaremos essa situação, quando o brasileiro através de suas ações, realizar o melhor para a coletividade, e não somente para si mesmo.


Redação elaborada para o ENEM 2009, cujo o tema era: O indivíduo frente à ética nacional.

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Vegetarianismo é a solução para aquecimento global?

24 Novembro 2009

Esse ano irá ocorrer em Compenhague (no período de 7 a 18 de dezembro) na Dinarmarca, a 15ª Conferência das Partes, realizada pela UNFCCC. A COP-15, como é chamada, tem o objetivo de encontrar soluções para as mudanças climáticas, principalmente o aquecimento global. Para impedir o avanço da temperatura é necessário reduzir a emissão de gases do efeito estufa na atmosfera, já que estes são os responsáveis pela retenção de calor na atmosfera. Nesse encontro, os 192 países signatários devem criar um novo acordo global para o clima, estabelecendo um maior comprometimento com um modelo de desenvolvimento mais sustentável, com baixa emissão de carbono, utilização de fontes limpas de energia, substituição de combustíveis fósseis e desmatamento zero.

Os países deverão estabelecer propostas e metas para redução de carbono. E enquanto toda a comunidade internacional se esforça para firmar um acordo capaz de frear as alterações climáticas, o ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, disse que a solução seria o mundo deixar de comer carne [leia mais]. O vegetarianismo é uma idéia, já antiga, que ganha força atualmente graças aos problemas climáticos da atualidade. Vegetarianos alegam que se todos adotassem a dieta, haveria uma redução considerável da emissão dos gases do efeito estufa. Já que ao utilizar apenas vegetais na alimentação humana haveria um melhor aproveitamento da energia dos alimentos.

Para entender como isso funciona, devemos recordar as aulas de ecologia relembrando que basicamente toda energia disponível para os seres vivos provém da fotossíntese. E por terem a capacidade de transformar a energia luminosa em energia potencial química, os vegetais são chamados de produtores. A medida que a energia captada pelos produtores é repassada para os consumidores primários, secundários, terciários e assim por diante, grande parte da energia produzida pelos vegetais vai sendo dissipada a cada nível trófico. Assim sendo, a dieta vegetariana seria uma forma de aproveitar melhor a energia dos alimentos, diminuindo o desmatamento (grande vilão da emissão de gases do efeito estufa) e a fome mundial. Já que mais alimentos poderiam ser produzidos no mesmo espaço físico atual, evitando a necessidade de novos desmatamentos para criação de animais de corte, aumentando a oferta de alimentos e conseqüentemente, barateando os preços.

Outro fator que contribui para o aquecimento global na produção de carne, segundo alguns ecologistas, seria a emissão de metano pelos ruminantes. Que segundo eles, produziriam até 500 litros de metano por dia através da ruminação, fermentação intestinal e do esterco produzido. O metano é responsável por cerca de um terço do aquecimento do planeta. E sua capacidade de reter calor é 23 vezes maior que o gás carbônico. Calcula-se que 28% das emissões mundiais desse gás são provenientes da pecuária. Segundo o ministro do Meio Ambiente indiano, deve-se levar em conta também as emissões causadas pelo transporte da carne e sua refrigeração, o que aumenta ainda mais os impactos da pecuária nas mudanças climáticas.

Ainda no segmento de idéias "estranhas" para salvar o planeta, os professores Robert e Brenda Vale, do curso de Sustentabilidade Ambiental da Universidade de Christchurch na Nova Zelândia, acreditam que o ser humano deveria descartar os tradicionais cães e gatos como animais de estimação e adotar animais que possam servir eventualmente de alimento para o homem como coelhos, peixes e faisões. Autores do livro: "Time To Eat Your Dog, The Real Guide To Sustainable Living" (Hora de comer o cachorro: o guia real para a vida sustentável), argumentam que a população mundial desses animais de estimação é enorme, e que eles consomem toneladas de alimento e água, causando prejuízo ao meio ambiente. Segundo eles, alimentar um cão sai mais caro ao meio ambiente do que a dieta de um etíope ou de um vietnamita.

Mesmo se tudo isso acima fosse a mais absoluta verdade, não acredito que essas medidas possam ajudar o clima efetivamente, serviriam apenas como medidas paliativas. Para explicar meu ponto de vista preciso retornar novamente para a ecologia. Vamos imaginar a seguinte cadeia alimentar:

A árvore representa a vegetação de uma maneira geral, exercendo a função de produtor, o gafanhoto é o consumidor primário, a ave o consumidor secundário e a serpente é o terciário e topo de cadeia, pois ninguém preda ela. Agora vamos imaginar que num determinado ano, o clima foi extremamente favorável, e a vegetação se expandiu de maneira significativa. Com maior quantidade de alimento os gafanhotos se reproduziram e uma maior quantidade de seus descendentes conseguiram sobreviver. Com uma maior quantidade de gafanhotos no ambiente, as aves tiveram uma maior oferta de alimento, e mais filhotes delas sobreviveram também. Com uma maior quantidade de aves, o mesmo aconteceu com as serpentes e sua população também aumentou. No próximo ano o clima voltou ao normal, e a vegetação não produziu uma enorme quantidade como anteriormente, porém agora temos muito mais gafanhotos que precisam se alimentar, e isso vai gerar uma competição entre eles e muitos não irão sobreviver, com menos gafanhotos a mesma disputa por alimento ocorrerá entre as aves, e sua população também diminuirá, e posteriormente o mesmo iria ocorrer com as serpentes. No terceiro ano, a vegetação que foi severamente atacada teria condições de se recuperar já que a população de gafanhotos diminuiu pela competição entre eles e também por terem sido predados em maior quantidade pelo excesso de aves, as aves que foram severamente atacas pelas serpentes também retomaria sua população normal e posteriormente o mesmo ocorreria com as serpentes. Voltando tudo ao normal.

O que eu pretendo mostrar com isso, é que no meio ambiente dois fatores controlam a população de uma determinada espécie: a oferta de alimentos no ambiente e seus predadores. O homem começou impactar e transformar o meio ambiente em dois momentos de sua história, quando dominou o fogo e deixou de ser predado, e há 11 mil anos atrás no Crescente Fértil, quando descobriu a agricultura. Com a agricultura, ficamos livres do ciclo natural de provisão de comida que todos os outros animais seguem. A quantidade de comida disponível agora depende do nosso esforço, e não mais da provisão natural do meio ambiente. Sem predadores e controlando a oferta de alimentos, o homem tinha agora o caminho livre para aumentar e expandir sua população por todo o globo terrestre.

Hoje muito se fala sobre pegada ecológica, e formas de diminuirmos nossos impactos no planeta. E é realmente necessário estudarmos a melhor forma de utilizarmos nossos recursos, já que não são infinitos. Porém, o que eu observo é que há um excesso de neurose por parte de alguns. Se formos analisar, todos os animais causam impactos no ambiente. Mas normalmente são impactos que a natureza consegue absorver. Até mesmo fenômenos naturais, como um raio pode causar impactos ao derrubar uma árvore ou causar uma queimada natural, por exemplo. Em tempos de aquecimento global o grande vilão para alguns têm sido o consumo de carne. Porém o homem sempre se alimentou de carne, os bovinos sempre consumiram muita água, e sempre eliminaram a mesma quantidade de metano, seja ela qual for. Então o que mudou?

O que mudou basicamente foi a população humana, que cresce em progressão geométrica desde a Revolução Industrial na Inglaterra, por volta de 1650. Há aproximadamente 2.000 anos a população mundial era de cerca de 300 milhões de pessoas. De 1850 a 1950 o contingente populacional teve um estrondoso crescimento, alcançando 2,5 bilhões de habitantes. 40 anos depois, a população já havia crescido mais do que o dobro, totalizando 5,2 bilhões de habitantes. Hoje calcula-se que a população esteja em torno de 7 bilhões de pessoas.

A atividade humana é a principal causa do aquecimento global. E é justamente essa a maior contradição de uma dieta vegetariana, pois quem a defende alega que se toda área utilizada pela pecuária fosse utilizada para agricultura teríamos uma maior oferta de alimentos. Como vimos anteriormente, com uma maior oferta de alimentos e sem nenhum predador, a população humana cresceria ainda mais, e novas áreas para agricultura teriam que ser criadas, causando desmatamento. Isso aconteceria pois o instinto básico de todo ser vivo é o da reprodução, a transmissão de seus genes como explica a teoria do Gene Egoísta. Na verdade, em pouco espaço de tempo teria-se substituído a população de bovinos, que necessitam de muita comida, água e expelem muitos gases, pela população humana, que também consumiria muita comida, água, energia, combustíveis fósseis, produtos industrializados, madeira, e muitos outros recursos naturais.

O apetite dos seres humanos por recursos naturais só aumenta, mas o tamanho do planeta continua o mesmo. E eu acredito sinceramente, que ao invés dessas pesquisas estranhas que calculam a quantidade que um boi emite de metano, quanto um cachorro custa ao meio ambiente, ou quantos litros de água são necessários para produzir um bife, uma política mundial de controle populacional humano traria muito mais benefícios ao meio ambiente. E certamente com uma população humana adequada ao planeta poderíamos continuar comendo carne, tendo nossos animais de estimação e tomando banho sem ter que ficar se preocupando se isso está contribuindo com o aumento do aquecimento global.

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